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PARQUE DA CIDADE DE ESPOSENDE - CONCURSO

ESPOSENDE, 2013

PROJECTO I CONCURSO PARA O PARQUE DA CIDADE DE ESPOSENDE

LOCALIZAÇÃO I ESPOSENDE, PORTUGAL

DATA I ABRIL DE  2013

 

Com este projeto procuramos desenvolver uma estrutura verde sustentável, que se integra na Estrutura Verde do Rio Cávado, na qual a vegetação proposta é fundamentalmente autóctone, adaptada às condições edafo-climáticas e com reduzida necessidade de manutenção.

Por se tratar de um parque ribeirinho, deu-se especial atenção à sua margem, tendo sido proposta a sua renaturalização e estabilização.

 

Na área de intervenção existem duas zonas de carácter distinto. A Noroeste uma área mais natural composta por sapal, prados atlânticos e uma mata ripícola. A zona Sudoeste é constituída essencialmente por campos agrícolas. Tendo em conta as diferentes características biofísicas, o parque foi estruturado segundo diversas tipologias de uso. Apesar desta diferenciação, todo o parque foi estruturado como uma unidade, articulando as diferentes tipologias anteriormente referidas.

 

Para a zona Noroeste, com carácter mais natural propomos a criação de um percurso interpretativo de fauna e flora, a passar num passadiço sobrelevado. Ao longo deste percurso existem vários pontos de observação de fauna e flora, associados a postos de interpretação ambiental (uma torre de observação, um posto de observação coberto e alargamentos no passadiço).

 

A Sudeste, nos antigos campos agrícolas foi proposta uma zona com maior capacidade de carga. Enquanto a zona Noroeste é mais vocacionada para a observação da natureza, permitindo a aproximação das pessoas ao sapal, sem que este seja degradado, a zona Sudeste é mais vocacionada para o recreio activo e passivo. Podendo realizar-se eventos ao ar livre, desporto informal, contemplar o rio ou o simples descanso no prado.

 

A zona Sudeste foi desenvolvida segundo o modelo clareira – orla – mata, procurando-se optimizar as oportunidades de espaço livre, de modo a criar espaços centrais livres (clareiras), desobstruídos e ligados entre si, intercalados com orlas arbóreo arbustivas que delimitam estes espaços.

 

Na clareira central foi proposta uma modelação que pretende funcionar como um anfiteatro natural virado a Sul, que simultaneamente protege do vento dominante e funciona como barreira visual para a estrada, não se vendo a circulação automóvel. 

 

A Norte do anfiteatro encontram-se os campos desportivos de basquetebol e voleibol. Junto à área desportiva está proposta a criação de sanitários públicos, de apoio ao parque.

 

Junto à bacia de retenção foi implantado um edifício onde um café poderá assegurar o apoio ao parque. A implantação, composta por cinco volumes interligados, apresenta-se como se de um conjunto de árvores se tratasse, formando um maciço. Esta desfragmentação permitiu aligeirar o impacto que o edifício tem na paisagem, afirmando-se sem se sobrepor ao ambiente que o rodeia.

 

Mais a Sul foi proposto um parque infantil composto por três equipamentos, com capacidade para cerca de 20 crianças brincarem em simultâneo. Pretendeu-se que estes equipamentos seguissem as mesmas linhas orientadoras de todo o projeto, simplicidade e integração com a envolvente, por isso foram escolhidos em madeira tratada da Lapónia, à cor natural, e como superfície amortizante optou-se pelo areão.

 

Também na escolha do mobiliário urbano, bancos, papeleiras, bebedouros e luminárias prevaleceram princípios de minimalismo e sustentabilidade.

 

O parque de merendas está situado a Sul do pinhal proposto, criando-se espaços de sombra e de sol através da pontuação de pinheiros.

Também como forma de dinamizar esta zona da cidade, está prevista a revitalização do Centro de Atividades Náuticas e dos Estaleiros Navais. Assim, e como forma, também, de responder ao estado de degradação que o edifício apresenta, prevê-se, através dos arranjos exteriores, garantir uma maior integração do edifício no parque.

 

Para a vegetação foi pensado um equilíbrio entre árvores de crescimento mais rápido (ripícolas e pioneiras), para que o crescimento da massa vegetal ocorra mais rápido, permitindo a criação de um microclima favorável à estadia e fruição naquele espaço num futuro próximo, conjugado com árvores de crescimento mais lento, permitindo aumentar a diversidade vegetal do parque.

 

Procurou-se melhorar as condições microclimáticas, através da organização da estrutura vegetal associada a modelações de terreno. Promovendo zonas abrigadas do vento dominante Noroeste e um equilíbrio entre áreas de sol e sombra.

 

Para as linhas de água do parque foi proposta a renaturalização do parque através de metodologias de engenharia natural, através de uma estrutura tipo paliçada constituída por barrotes de pinho entrelaçado por ramos de salgueiro. Para as suas margens é proposta a plantação de espécies ripícolas, como Alnus glutinosa (amieiro) e Fraxinus angustifolia (freixo).

 

É proposta a remoção das espécies invasoras, nomeadamente da Acacia longifolia (Acácia-de-espigas), Carpobrotus edulis (Chorão-das-praias) e Cortaderia selloana (Erva-das-pampas) em todo o parque.

 

Todo o projeto foi desenvolvido com o objetivo de valorizar e recuperar os valores naturais deste local elevando-o a um Parque Ribeirinho de referência no panorama nacional. Todas as propostas de intervenção se pautaram pelo respeito pelo conjunto interessantíssimo de habitats naturais e seminaturais, de elevada importância ecológica, que Esposende possui e que importa evidenciar.

 

Esta proposta para o Parque da Cidade de Esposende foi elaborada em parceria com o gabinete de arquitectura GMAISNV.